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Atuação

Do Ator-Compositor à Cinética do Invisível

 

O Palpável na Atuação: O Ator Compositor

Esta pesquisa teve como ponto de partida as seguintes questões: como podemos pensar sobre o conceito de ‘composição’ no caso do trabalho do ator-atuador-performer? Como colocá-lo em prática?

Como sabemos, o conceito de ‘composição’ há muito tempo faz parte do ensino e da prática de várias formas de arte, tais como a Dança, a Pintura, a Escultura, a Arquitetura, a Música e o Cinema. E no caso do teatro?

Entendendo-se a princípio o termo ‘compor’ a partir de suas implicações etimológicas – enquanto atividade de ‘por com’ – buscamos exemplos os quais podem servir como referência de tal atividade no caso do trabalho do ator-atuador-performer. Através dessas reflexões, acompanhadas de experiências práticas, percebeu-se então a centralidade das ações físicas nesse caso. As ações físicas, vistas a partir de um horizonte mais ampliado, que envolve as contribuições de diferentes criadores e referências teatrais, além de funcionar como um potente instrumento de composição, representam um eixo que pode dar unidade às diferentes experiências criativas vividas pelo ator-atuador-performer. Mesmo se tratando nesse caso de uma abordagem específica, é importante, de qualquer forma, reconhecer as contribuições dadas por alguns artistas para o desenvolvimento de práticas  de composição nesse caso:  V. Meierhold, M. Tchékhov, J. Grotóvski, E. Barba, Anne Bogart e Mary Overli, dentre outros.

Vários procedimentos descritos no livro O Ator Compositor (Perspectiva, 2002) foram explorados nos espetáculos Silêncio e Descartes, ambos criações do PERFORMA. Essa abordagem constitui uma das linhas de pesquisa desenvolvidas praticamente pelo Núcleo.

O impalpável na Atuação: A Cinética do Invisível

Uma vez concluída em 2002 uma primeira etapa de investigações sobre as ações físicas na composição da atuação, teve início uma nova etapa, em que a nossa atenção foi direcionada não somente para os elementos palpáveis do trabalho do ator-atuador-performer, mas igualmente para os seus elementos e processos, podemos dizer, impalpáveis. O terreno de exploração nesse caso foi o teatro de Peter Brook. Alguns aspectos relacionados com essa investigação foram experimentados na última versão de Descartes. Este espetáculo, portanto, pode ser considerado, ao mesmo tempo, um território de transição e um catalisador dessa linha de pesquisa e daquela descrita acima.

Terrenos Complementares: A Composição do Invisível

O desenvolvimento do trabalho do Núcleo fez que com percebêssemos que as linhas de pesquisa ‘O Ator Compositor’ e ‘A Cinética do Invisível’ não se excluem, não estão em oposição. Elas podem, ao contrário, ter elos de conexão em muitos níveis, que podem mudar a cada projeto artístico. Sendo assim, a atuação passa a ser um canal expressivo que pode ser constituído de muitas camadas, onde o visível e o invisível estão profundamente entrelaçados. Tais percepções geram procedimentos e processos criativos que são explorados pelo Núcleo e que permearão os nossos próximos projetos artísticos.

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