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Descartes

Neste espetáculo-performance, o trabalho com a dramaturgia do ator foi significativo. Partimos da leitura da meditação quarta de Descartes “Do Verdadeiro e do Falso”. Em seguida, a partir das reflexões e discussões feitas sobre o texto original, chegamos na versão definitiva do texto utilizado em Descartes, escrita por Matteo Bonfitto e por Fernando Bonassi. Esta experiência desencadeou novas descobertas e percepções, sobretudo em função da escolha de ter como ponto de partida um texto filosófico, que não conta uma história’ mas que ao mesmo tempo é repleto de reflexões e imagens. Assim como em Silêncio, é na materialidade da atuação que se encontra o eixo do espetáculo.


René Descartes foi um homem de muitas facetas. Longe de ser somente o racionalista que lançou as bases científicas presentes ainda hoje em várias atividades, ele investigou diferentes campos do saber. Conhecer Descartes somente pelas suas formulações matemáticas e pelo dualismo corpo/mente do cogito, é desconhecê-lo. De fato, ele buscou perceber o humano com precisão, e diante das muitas dificuldades que encontrou, optou por uma ‘moral provisória’, apaziguadora das dúvidas que ele mesmo havia apontado. Mais do que o fundador do racionalismo, Descartes é visto nesse projeto como um catalisador de contradições, de incertezas, de tensões, que apesar das diferenças contextuais e históricas, encontram ressonâncias profundas e perceptíveis na liquefação das experiências contemporâneas.

O ser ficcional criado nesse espetáculo-performance tenta materializar a busca pela transparência já em seu figurino de plástico. Deslocando-se numa passarela de linóleo amarelo, iluminado pelos espectadores com lanternas e circundado por ovos brancos, ele age como um cego que finge ver, como alguém que parece saber para onde vai mas anda em círculos, como alguém que afirma algo com convicção, para em seguida afirmar algo diferente, com ainda mais convicção, como alguém que já não consegue manter o equilíbrio entre o pensar, o falar, o sentir, e o fazer. A luz aqui, operada pelos espectadores, ofusca mais do que revela, confunde mais do que esclarece, engana. O ‘lugar’ onde tal ser ficcional age é a encruzilhada entre o nascimento, a ilusão, a crença, a experiência, a reflexão e a morte. A alteridade aqui não está no Outro, mas permeia e invade o próprio sujeito, tornando-o movediço, desconhecido.

Descartes foi a presentado em diferentes versões no Festival Internacional de Teatro São José do Rio Preto; no Studio Theatre (RHUL) Inglaterra, e na Mostra Internacional de Artes do SESC. Descartes é um dos espetáculos que compõem o repertório do PERFORMA.

Ficha Técnica

Elenco: Matteo Bonfitto
Prep. Corporal: Gisela Doria
Iluminação: Beth Lopes e Matteo Bonfitto
Cenografia: Beth Lopes e Matteo Bonfitto
Figurino: Beth Lopes e Matteo Bonfitto
Texto: Fernando Bonassi e Matteo Bonfitto. Escrito a partir da Meditação IV de René Descartes: Do Verdadeiro e do Falso
Direção: Beth Lopes e Matteo Bonfitto

Duração: 30 min.

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